Aprenda sobre as muitas tecnologias envolvidas pelo GED/ECM.
Conheça alguns dos temas:
Como dar Validade Legal aos Documentos Digitalizados
Como garantir equivalência funcional-legal entre documentos em papel e documentos eletrônicos com Assinatura, Certificação e Tempestividade Digital
Como montar um birô de digitalização de documentos - Um negócio rentável - Com visita técnica
Convergência dos sistemas empresariais com o ECM. A Revolução da Gestão Estratégica com a Tecnologia ECM
ECM - Enterprise Content Management - A somatória das funcionalidades de: GED - Gerenciamento Eletrônico de Documentos e WCM - Web Content Management
DESTAQUE
Consolidação ou morte para as empresas brasileiras de TI
O Brasil é reconhecido pela qualidade de seus profissionais, que são flexíveis, criativos e comprometidos, e por empresas de excelência em vários segmentos na área de TI. Talento e excelentes soluções não nos faltam. O caminho trilhado pela Microsiga é um exemplo. Ela adquiriu a Logocenter , em fevereiro do ano passado, formando a Totvs . E acabou de anunciar, em 12 de abril, a compra da RM Sistemas, por cerca de R$ 200 milhões.
Porém, nossas empresas ainda são muito pequenas, se comparadas às grandes multinacionais, tanto no segmento de “pacotes” de software, quanto no de serviços e de outsourcing . Apenas para comparar, o faturamento de 2004 das 3 principais empresas indianas de TI (TCS, Wipro e Infosys ) foi superior a US$ 6 bilhões. Se somarmos o faturamento de 5 das maiores empresas de serviços de TI brasileiras (Cobra, Politec , Stefanini , Scopus e DBA) não atingimos US$ 800 milhões.
Para ilustrar um possível cenário, façamos um paralelo com o setor automotivo. Até cerca de dez anos atrás, o Brasil podia orgulhar-se por abrigar empresas nacionais de excelência no setor, tais como Freios Varga , Cofap , Metal Leve e Nakata . A partir da segunda metade da década de 90, todas estas empresas foram adquiridas por grandes multinacionais.
O fenômeno de consolidação de um setor é complexo e tem origem em múltiplas causas. A curva ‘S' da tecnologia nos fornece uma boa explicação sobre o que está ocorrendo. Todo empresário precisa ficar atento ao grau de maturidade da tecnologia de sua indústria. O gráfico abaixo mostra a evolução de uma tecnologia ao longo do tempo.
Em um primeiro momento, o setor de software passa pela Era da Inovação de Produto. Tudo está por fazer e são necessários vultosos investimentos em engenharia de software para desenvolvimento de novas aplicações. Nesta fase, existe enorme disparidade de preços entre os concorrentes.
Quando os produtos começam a equiparar-se em funcionalidade e não há tanta diferenciação entre os produtos, o salto de competitividade passa a ser o processo de fabricação. À medida que a tecnologia vira commodity , é necessário ser eficiente e reduzir os custos de produção para tornar-se mais competitivo.
As empresas brasileiras, tardiamente, estão ingressando nesta segunda Era de Melhoria de Processo, com a busca de certificação CMMI ( Capability Maturity Model Integration ) ou o equivalente brasileiro MPS (Melhoria de Processo de Software), que atestam a maturidade do processo de desenvolvimento de software das empresas. No Brasil, as primeiras a atingir o cobiçado nível 5 de CMMI foram grandes multinacionais como a TCS, IBM e EDS. Só recentemente empresas nacionais como a Stefanini e a Politec atingiram este estágio. Estamos muito atrás da Índia, que é sede de cerca de 50% das quase 40 empresas com CMMI nível 5 no mundo.
O Brasil começou a ingressar nesta segunda era e o mundo de TI já se encontra na terceira fase, a Era da Consolidação. Apenas para citar um exemplo, a Oracle adquiriu, recentemente, a Peoplesoft (que, por sua vez, havia adquirido a JD Edwards ) e a Siebel , em transações que somam mais de US$ 16 bilhões.
É claro que não existe uma separação rígida entre estas três grandes Eras. Elas acontecem de forma difusa e quase que simultaneamente em alguns momentos. Ainda há grandes oportunidades de inovação na engenharia dos produtos como o SOA ( Service Oriented Architecture ), uma arquitetura baseada em padrões abertos que facilita enormemente a integração de aplicações e a rápida incorporação de inovações, e a chamada Web 2.0, que entre outras características, oferece serviços e inovações técnicas que permitem uma interface muito mais rica e interativa com o usuário. Mas é preciso partir para a terceira era: a do capital intensivo e da busca por escala.
A consolidação de empresas de TI não é fácil, sendo extremamente complexa e arriscada. Durante um bom período é necessário manter linhas de produtos diferentes e planejar cuidadosamente um roadmap de fusão destas aplicações em uma única plataforma de sistemas. Neste período, o custo com P&D tende, inclusive, a aumentar. Isto sem falar do enorme desafio de unir times com culturas totalmente diferentes, e que, em alguns casos, até rivalizavam entre si.
Mesmo correndo riscos, a indústria brasileira de TI precisa consolidar-se para competir globalmente. Ou nos restará lamentar a desnacionalização das grandes empresas do setor.
* Adalton M. Ozaki ( prof.adalton@uol.com.br ) é coordenador do curso de pós-graduação em Management of Business Technologies da FIAP - Faculdade de Informática e Administração Paulista e professor nos cursos de graduação. Mestre e bacharel em administração de empresas, pela FEA-USP, tendo se especializado em negócios eletrônicos e gestão tecnológica. Atua há mais de 15 anos no setor de tecnologia de informação e atualmente é sócio-diretor da ADF Consulting . É co-autor de capítulos nos livros “ E-Commerce nas Empresas Brasileiras, Inovação Tecnológica no Setor de Telecomunicações” e “Sistemas ERP no Brasil”.